Procrastinação: o palavrão a não evitar

Nós seres humanos temos a mania de pensar que somos espertos. O mesmo tipo de inteligência que nos presenteou com a teoria da relatividade e nos permitiu ir à lua é o mesmo que não nos deixa começar um trabalho até à véspera de quando tem de estar pronto.

Mas há uma coisa que é preciso perceber primeiro.

Nós somos humanos, mas também somos animais.

Somos criaturas primitivas, mas devido ao nosso manancial genético, evoluímos a partir dum alicerce mais obscuro, mais básico, mais primitivo. É o cérebro reptiliano, que por si próprio é um nome enganador, porque na realidade é uma componente que faz parte do nosso cérebro.

O nome vem do facto de ser suposto que fosse esta a frente cerebral que os reptéis e aves haviam desenvolvido e que este complexo era responsável pelos comportamentos básicos como agressão, dominância, territorialidade, e rituais de acasalamento.

cérebro reptiliano

Repara como o resto do nosso cérebro está “montado” em cima do reptiliano.

O nosso cérebro reptiliano não quer ouvir a parte racional em nós. Como uma criança, poderá fazer muito daquilo que lhe é dito, desde que ele não discorde muito com aquilo que ouve.

réptil boneco

Aquilo que nos permitiu ascender como espécie dominante deste planeta é a capacidade de termos desenvolvido alguns sistemas para acalmar o nosso cérebro reptiliano, adormecê-lo ou apaziguá-lo.

Esta “capacidade” é o que podemos chamar de “civilização”. Comida e abrigo ajudam, assim como um sistema legal e judicial em vigor, educação obrigatória, entretenimento e monogamia.

Tudo isto acalma o cérebro reptiliano em nós tempo suficiente para que possamos fazer algo de produtivo, como encontrar a cura para a raiva ou inventar a manteiga de amendoim.

manteiga de amendoim

Mas vamos olhar para a procrastinação.

Estás a tomar uma decisão com a tua mente consciente e perguntas-te porque é que não a levaste a cabo. A verdade é que quem toma as decisões, o “teu réptil”, não é propriamente muito maduro ou sofisticado.

Imagina que tinhas de convencer uma criança a fazer o que tu querias que ela fizesse. Para pequenas ações, impôr a tua autoridade pode ser o suficiente, “vem jantar” ou “arruma os brinquedos”. Mas se a criança não quer fazer algo, ela não vai ouvir.

Eis o que podes perceber.

  • Segurança interessa. Se estás com fome, cansado(a) ou deprimido(a), o teu réptil infantil vai-se rebeliar. Se falhares em tomar conta de ti próprio ele vai querer sair, gritar e refusar-se a fazer o que lhe dizes. É para isso que ele cá está, para comer, dormir e brincar.
  • Esquece a lógica. Após decidires que vais fazer alguma coisa, a parte racional da coisa poderá não ajudar-te. O teu réptil interior pode ser apaziguado, assustado e motivado. Mas não fala através da linguagem nem pode ser argumentado através da razão.
  • Incentiva a disciplina. Cria uma rotina de reinforçamento positivo e negativo. Se queres que uma criança coma vegetais, não lhe dês a sobremesa primeiro. Recompensa-te pelos teus sucessos e castiga-te pelo que falhaste em fazer. Fazeres um compromisso em público pode ser bom, pois a pressão social ajuda.
  • Descobre a emoção. O réptil em ti responde à emoção, essa é a única linguagem dele(a). Discursos ou frases motivacionais, livros, filmes ou artigos podem funcionar durante algum tempo, e até música, que poderá funcionar muito bem. Imagina o que queres feito, já feito, ou o pesadelo de falhares em a fazer. Torna a tua imaginação vívida o suficiente para te fazer sair do torpor.
  • Empurra-te para começar. O mais importante é começar. O instinto réptil é evitar a mudança, então, quando começas algo, o jogo começa a virar a teu favor. Com tempo suficiente, até podes enganar (perdão, convencer) o teu réptil de que adoras fazer as coisas que ele até agora detestava. Conseguimos convencer as crianças a ir à escola, também conseguimos fazer isto.
  • Abusa do espaço. O teu réptil não é lá muito esperto. Se ele vê um botão, quer clicá-lo. É como dizer a uma criança que está a ver os últimos minutos dum programa de TV (imagina, o Dragon Ball) para se ir deitar agora. Organiza o teu espaço para te remover de distrações, sai do facebook ou do teu cliente de email, desliga as notificações. Se necessário, cria contas separadas para o trabalho e para o pessoal, e até em computadores separados.

Conclusão

Após saberes os pontos em que tens de estar alerta, vais começar a reconhecer os padrões (positivos ou negativos) para os começar a controlar.

Há um réptil dentro do teu cérebro, mesmo que ele não seja físico. Ele anda de carro, mas infelizmente não tem um volante, portanto tens de ser tu a conduzi-lo. Ele poderá fazer aquilo que lhe disseres, e servir-te bem. Lembra-te só quem é que manda.

lagarto conduzir carro

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2 comentários sobre “Procrastinação: o palavrão a não evitar

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