Os teus empregados não lêem mentes

Como líder, o que é que almejas? Os teus empregados sabem o que é necessário ser feito para chegar aos objetivos, teus e da empresa? Eles sabem como esperas que eles se comportem e o que eles façam? E quando eles sabem “o quê” e o “como”, como é que tu lhes dás autonomia suficiente para que o trabalho possa ser feito duma forma eficiente e produtiva?

Estas questão são pontos pertinentes que todos os líderes mais cedo ou mais tarde se têm de debruçar. Neste artigo vamos analisar formas mais eficientes de mais facilmente lidarmos com estas questões e alcançar os teus objetivos duma forma clara e contínia.

Desenvolve o quê e o como de forma colaborativa

Antes de mais tens de saber interagir com as pessoas envolvidas no processo, numa conversação sobre em que ponto de situação estás, para onde queres ir e como lá vais chegar. Ao ir ativamente à procura do feedback deles, e valorizar as perceções deles, aumentar o compromisso, confiança e a probabilidade de ganhar boa vontade da parte deles quando for altura de agir e executar o plano. Esta perspetiva coletiva ajuda a estruturar aquilo que tem de ser feito (o quê) e o comportamento necessário para assim o fazer (o como).

Pode ser útil fazer uma folha de cálculo em forma de balanço, também chamado de balanced scorecard. Isto define “o quê”. Para definir o como podes usar o Modelo de Liderança Campbell. Podes usar ambas as ferramentas para avaliar os teus empregados.

Declara-te e vive com os teus próprios compromissos

Normalmente os líderes têm as melhores das intenções, mas as pessoas não conseguem ler as mentes deles, e é por isso que é importante viver com os nossos próprios compromissos, isto é, dizer às pessoas, quando apropriado, o porquê de querermos liderar e o nosso código de conduta. Por exemplo, alguém que lidera uma equipa poderá, quando em contacto com um membro peculiarmente difícil de lidar, ser transparente e aberto. Ao falar sobre os nossos valores e explicar porque é que eles nos interessam e como isso se aplica ao trabalho que fazemos, desarmamos a outra pessoa com a nossa genuinidade. “Eu gosto de ter uma boa experiência quando trabalho em equipa. Podes-me dizer o que é que procuras num colega? O que é que te leva a ti a confiar em alguém?”

Isto é declararmos-nos, e pode mudar radicalmente uma pessoa difícil num dos nossos maiores apoiantes.

Mas declararmos-nos pode não ser suficiente. É necessário estar consciente de que eles nos irão tomar como responsáveis daquilo que fazemos e daquilo que dizemos. As pessoas querem saber se tu dás o exemplo e irão observar-te para saber se fazes aquilo que dizes. Portanto, se dizes, tens de fazer.

Respeitar a autonomia

Não te entusiasmes demasiado e não leves “o quê” e o “como” a extremos. Seria altamente contra-produtivo dizer às pessoas o que é suposto elas fazerem de tal forma rígida que elas ficam mais preocupadas com as tuas expetativas do que com o facto de que deverão concluir o trabalho de forma atempada e com qualidade.

No livro “Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us“, o escritor Daniel Pink identifica aquilo que motiva as pessoas. A pesquisa dele revela que o factor que mais motiva é a autonomia, isto é, a possibilidade de escolha. As pessoas querem ser mestres do seu próprio domínio. Por isso tens de reconhecer que as pessoas querem saber aquilo que é esperado delas mas querem igualmente liberdade suficiente para que possam corresponder às expetativas duma maneira que funcione para eles.

Para poderes liderar ao mais alto nível, tens de saber dar à tua equipa um sentido de direção no que toca ao “quê” e ao “como”. Tens de saber expressar isso claramente o suficiente, mas não tão rígido o suficiente ao ponto de comprometer a capacidade individual de desempenho de cada um. Dá-lhes a flexibilidade de interpretar a coisa de forma a permitir que eles possam fazer o melhor trabalho possível que eles sabem fazer. Irás estar a dar assim o orgulho da autoria a cada um deles à medida que eles vão resolvendo problemas em sintonia com as tuas expetativas.

Sê consistente

Não só tens de te declarar a ti próprio cedo, tens de te declarar várias vezes. As pessoas têm vidas complicadas e muitas vezes não te estão a ouvir atentamente ou ao objetivo da empresa ou organização. É necessário fazer por vezes “vira o disco e toca o disco” e mostrar às pessoas porque é que é relevante e como é que isso funciona de forma específica.

Usa toda a oportunidade que tiveres para te conectares com os teus empregados ou membros de equipa, fala sobre projetos passados ou como é que eles contribuíram para a missão da empresa.

Lembra-te de ser consistente. Ter um comportamento padrão ajuda a ser congruente e dar um bom exemplo aos outros, não só num contexto de negócios mas também a nível da vida no geral.

Mantém-te adaptável

Quaisquer sejam as decisões que faças, algumas delas vão estar erradas. Ninguém está certo, sempre, a toda a hora. Portanto, quanto de declarares para ti próprio e para os outros, faz uma pequena nota mental de que algures no futuro irás cometer um erro.

Ao fazer isto, estás a tornar-te flexível. Isto não quer dizer que não saibas o que estás a ver. O que isto diz é que sabes exatamente o que estás a fazer, porque, ao entender que errar é humano, é possível aprender com os nossos erros. É a forma como lidas com os erros que vai derradeiramente definir a tua contribuição, para ti e para o mundo. Já o Charles Darwin dizia, quando o meio ambiente muda rapidamente (lembra-te dos dinossauros), não são os mais fortes nem os mais inteligentes que sobrevivem: são, em vez disso, os mais adaptáveis. Desta forma, os líderes mais capazes são aqueles que são mais propensos a aprender.

E não tens apenas de ser flexível, tens de também fazer com que os outros estejam cientes desta flexibilidade. Por exemplo podes passar uma pequena nota a todos os teus colegas a dizer “Eu irei cometer erros. Irei fazer o melhor que posso para reconhecer esses erros e remediá-los tão rápido quanto possível”. Estás a aprender e a crescer, a situação muda, e pode ser necessário virar noutra direção.

Quando dás “barraca”, e isso irá acontecer, garanto-te, a solução é corrigir o rumo e fazê-lo bem. A coisa mais eficiente a fazer é reconhecer o teu erro, comprometermos-nos a fazer melhor e fazermos mesmo.

Conclusão

Uma visão, uma estratégia, ou uma declaração, isto são só promessas. Como líder que és, o teu trabalho é tornar estas promessas realidade através dos processos e interações com o mundo e com as pessoas, todos os dias.

Usa cada uma das tuas interações como uma oportunidade de praticas as teorias e práticas aqui apresentadas. Prova que consegues. Faz por te melhorares com cada interação. Compromete-te a desenvolver uma maior clareza e competências para que te possas tornar cada vez mais prestável, a ti e aos outros e à tua empresa. Portanto, diz aquilo que valorizas, torna claro o que queres fazer, e mantém-te responsável.

Deixe um comentário